"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa (Solidão)

06
Fev 18

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Com a esperança de governar a casa já ela se via a comprar livros e coisas para as paredes. Havia nas papelarias da Baixa umas estampas que cobiçava tanto!

Mas vem um dia... tinha ela ido para o Liceu; um dia em que, de volta a casa, a encontrou virada do direito para o avesso. Que podia ter acontecido? A criada a choramingar, a casa revolvida; e a madrinha?

A rapariga, que era nova e roliça, e costumava deitar pingos de água nas cartas que mandava ao namorado, nem lhe respondeu.

- A madrinha? - perguntava ela, espantada.

- Aquela senhora...

- Qual senhora?

- Aquela, mais a senhora Ana, remexeram aí tudo e, e...

Em resumo tinham posto a casa a saque e raptado a dona Felismina.

A pobre senhora estava de cama, porque continuava doente, mas assim mesmo a tinham arrebatado, como a um fardo precioso.

O que ainda havia de valor em casa também desapareceu: joias, os restos de um faqueiro de prata, loiça antiga, os cobertores, os lençóis de linho, alguns móveis... Por esquecimento, teriam ficado sujas? deixaram duas colheres de prata, que ainda conserva. Com elas sempre come.

 

Irene Lisboa

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publicado por Jorge da Cunha às 16:07

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