Ó vida

Fechá-la na mão
fechada, fechada
e isto já o disse
alguma vez o terei dito; disse.
Fechá-la na mão!
É fugitiva, a ladra.
Fechá-la assim na mão...
A incompreensiva,
a enganadora.
Benigna e mortal,
terrível.
A esquiva,
a pérfida e amada.
Mas não ouso!
Só queria dar-lhe um nome,
qual?
Não sei, nem ouso.
Um nome cruel e criterioso.
Não ouso
e nem o sei.
Ó vida!
Ó vida!
Ó vida!
Poema inédito de Irene Lisboa, gentilmente cedido por D. Ilda Moreira,
Jornal do Comércio, 21 - 22 maio de 1966.
Retrato a partir de uma fotografia de Irene Lisboa de 1915, de Inês Henriques, 2014.
