
Porque espreitais, lágrimas?
Viciosas, importunas, tão furtivas e tão repetidas.
Lendo, pensando... solícitas, solícitas!
Que é que se chora?
Nada, nem se sabe.
O que não foi e podia ter sido...
O impreciso, tudo e nada, toda a vida!
Mas como caem elas?
Se passam dos olhos rolam de repente, redondas,
redondas, apressadas...
E logo esquecem.
Mal de esquecer, pior que o de lembrar.
O coração, afinal, não é mais que um bocado de
terra ou de erva sempre a murchar e a rebentar.
E nessa fadiga, nessa lida, se gasta, se empobrece,
se inutiliza!
Irene Lisboa (1991). Um dia e outro dia… / Outono havias de vir. Lisboa: Editorial Presença.
