- Irene do Céu Vieira Lisboa nasceu no dia de Natal, de 1892, no casal da Murzinheira, freguesia de Arranhó, concelho de Arruda dos Vinhos.
- Este casal, bem como a Quinta de Monfalim, era propriedade da sua madrinha, D. Maria Guilhermina da Conceição Chaves.
- Aí viveu com a sua mãe, Maria Joaquina (17 anos), e a irmã Rita, até aos três anos.
- Depois, foi levada para Monfalim, com a sua irmã Rita, onde vivia a madrinha e o velho pai, Luís Emílio Vieira Lisboa (62 anos).
- Aos seis anos entra num colégio interno, Convento do Sacramento, em Lisboa.
- Da mãe, que se juntou com um trabalhador da Quinta de Monfalim, nunca mais se soube, apenas que deixou mais 4 filhos: Romana, Vitória, José Mateus e António.
- No Colégio do Sacramento, esteve Irene até ao 11 anos, frequentando depois, até aos 13, o Colégio Inglês.
- Em 1905, quando tinha 13 anos, o pai (já com 75 anos) junta-se com D. Maria da Saudade Ascensão Cavalheiro, com quem casou 7 anos mais tarde e de quem teve 6 filhos, o último dos quais quando o velho Dr. Lisboa tinha 83 anos.
- Os dois anos seguinte foram dramáticos para Irene Lisboa. Foi tirada do colégio e enfiada em Monfalim, onde esteve ao abandono, tendo de suportar a maldade e inveja da madrasta e da mãe desta.
- Aos 15 anos, vai viver com a madrinha para Lisboa e entra no Liceu Maria Pia onde conhece Ilda Moreira, de quem foi amiga o resto da vida.
- Mais tarde, Irene Lisboa vai viver para casa de Ilda, depois de tudo ter desaparecido de sua casa, inclusivamente a madrinha que foi raptada pela madrasta e mãe desta.
- Com 19 anos, ingressa na Escola Normal Primária de Lisboa, onde tira o curso de professora.
- Aos 23, termina o curso da Escola Normal com 18 valores.
- Passa a viver do seu ordenado e de uma pensão que lhe dá um primo do pai, o Conselheiro António Maria Vieira Lisboa.
- Em 1920, com 28 anos, Irene e Ilda tomam posse de duas turmas de ensino infantil na Escola da Tapada na Ajuda.
- Os alunos, muito pobres, têm entre 5 e 7 anos. Estas duas classes, pioneiras do ensino pré-primário em Portugal, servem de modelo de um ensino moderno e inovador.
- Entretanto, com 37 anos, Irene Lisboa vai, como bolseira, para Genebra estudar psicologia e pedagogia.
- Esteve ainda em Bruxelas e Paris, onde estudou metodologias pedagógicas.
- Regressa a Lisboa em 1932.
- Em 1935, vai morar para a zona das Janelas Verdes. É aqui que escreve parte de três das suas obras: Um dia e outro dia, Solidão e Esta cidade!
- Em virtude de terem sido extintas as secções infantis, em 1936, Irene concorre ao lugar de Inspetora para o Ensino Infantil, tendo ficado com o lugar de Inspetora-Orientadora em itinerância.
- Por ter sido demasiado inovadora para as mentes pequenas de então, Irene Lisboa foi, primeiro, transferida para um lugar administrativo na Junta de Educação Nacional; depois, em 1940, dão-lhe duas opções: ficar com um lugar como professora na zona de Braga, ou reformar-se. Opta pela segunda situação, recusando o degredo e negando dobrar-se perante um sistema acéfalo, ou não fosse ela Irene Lisboa.
- Em 1940 visita a terra onde havia passado só algum tempo, pouco, da sua infância e adolescência, ficando numa casa alugada em Monfalim.
- É então que começa a escrever aquela que viria a ser uma das suas obras de referência Voltar a trás para quê?
- Nestas férias percorre todos os lugares, serras e festas e recolhe fragmentos utilizados depois em muitos dos seus livros.
- Leia-se, por exemplo, Férias no campo, onde a autora nos apresenta um relato de lugares, pessoas e costumes muito próximo daquilo que um etnógrafo faria durante o seu trabalho de campo.
- E é a este campo da sua infância, trazido pelo “vento da Murzinheira”, que ela regressa constantemente.
- Este início dos anos 40 do século XX, já reformada sem ainda ter 50 anos, foram de grande produção literária.
- É ainda nos anos 40 que visita a Serra da Estrela pela primeira vez, local bastante frequentado pela autora a partir daí.
- Também os anos 50 são bastante produtivos a nível literário: Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma (1955); Voltar atrás para quê? (1956); O pouco e o muito – Crónica urbana (1956); Título qualquer serve (1958); Queres ouvir? Eu conto (1958); Crónicas da serra (1958).
- Os anos 50 são o prenúncio do fim desta escritora que foi considera por José Gomes Ferreira como “a maior escritora de todos os tempos portugueses”.
- Em 1950 Irene é operada, pela segunda vez, a um cancro no duodeno no Hospital de São José em Lisboa. Mas nunca deixa de escrever.
- A serra, o campo, a cidade e tudo o que os envolve por dentro, tudo o que é quotidiano, insignificante, nada... é motivo e reflexão e autorreflexão por parte de Irene Lisboa.
- Irene Lisboa morre então numa quarta-feira, no dia 25 de novembro de 1958.
- No dia 13 de janeiro de 2013, os restos mortais de Irene Lisboa são trasladados do Cemitério da Ajuda (Lisboa) para o Cemitério de Santo António (Arruda dos Vinhos).
publicado por Jorge da Cunha às 02:58