


Um dia e outro dia...
João Falco
Diário
de uma
mulher
A água dos rios
costuma correr
tranquila e monotonamente.
Os dias da nossa vida
assim correm também.
Lá vem hoje,
e lá vem daqui a tempos,
um pequeno salto sentimental
que os perturba.
Mas a igualdade do seu curso
e a do curso dos rios
refaz-se sempre, teimosamente...
Como poderá um diário
deixar de ser monótono,
corrente
e vulgar?
(“O que importa agora é notar como é funda esta raiz, e como ela determina uma temática central já nestes primeiros livros de Irene Lisboa: a ligação estreita entre tempo e memória.” Paula Morão, p. 12)
(“Tentava assim disfarçá-la com um nome de homem – senhor da Criação a quem, em certos domínios, tudo era permitido.” José Gomes Ferreira, p. 25)
Irene Lisboa (1991). Um dia e outro dia... Outono havias de vir (Poesia I). Organização e prefácio de Paula Morão. Introdução de José Gomes Ferreira. Lisboa: Editorial Presença (versões originais de 1936 e 1937).
E nunca mais a poesia em Portugal foi a mesma depois daquele ano de 1936.
