"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa (Solidão)

29
Mar 18

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publicado por Jorge da Cunha às 10:21

19
Mar 18

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publicado por Jorge da Cunha às 21:06

12
Mar 18

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Oh! que extraordinário efeito a palidez do rapaz nela produzia... A sua palidez, a sua elegante farda azul-escura, a bicha doirada no braço e o mar, um mar transparente para além dele, romântico, enorme! Por esse tempo, lia ela Camões.
Mas o rapaz era muito reservado, o que a confundia. Estava certa de que o amava apaixonadamente. E sentia-se tão alvoroçada e tão cativa dele que só a ideia da morte a consolava. Morrer, morrer, quer ele soubesse, quer não soubesse que por ele morria. E voltou aos seus passeios na varanda e a apanhar luar em cheio, mesmo que fizesse muito frio. Andava pálida e magra. A dona Felismina inquietava-se: "Que é que a pequena terá, que é que a pequena andará a chocar?"

Ela veio a saber o nome do aspirante por umas costureiras do seu terceiro andar, e nunca o esqueceu.

Sete anos mais tarde, um oficial da administração, um azeiteiro, soltou casualmente em sua frente o nome daquele camarada, e ela ainda secretamente o acariciou.

 

Irene Lisboa (1994). Obras de Irene Lisboa - Volume IV - Voltar Atrás Para Quê?  Editorial Presença: Lisboa, pp. 124, 125.

publicado por Jorge da Cunha às 21:37

07
Mar 18

E porque o dia 08 de março simboliza o respeito e a admiração que todos devemos ter pelas mulheres, celebremos com esta carta que um homem escreveu a uma mulher que admirava profundamente.

 

A ÚLTIMA CARTA DE JOSÉ RÉGIO A IRENE LISBOA

(Publicada no Diário Popular, 06/12/1973.)

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         Portalegre, 13-11-58

         Minha querida amiga:

        Não sei se chegou a receber a minha última carta, que andou por aí, (a Irene estava então ausente de Lisboa) me foi devolvida, e depois tornei a remeter na direção em que vai esta. Desde então que penso em novamente lhe escrever. Sei que está doente, e penso muito em si. A falar verdade, haverá algum dia que me não lembre da Irene? Também, não muito de longe em longe, vejo o seu nome nos jornais. E uma coisa que me alegra, é verificar que a Irene conquistou tudo o que há de melhor em Portugal, quanto a inteligência e sensibilidade. Pode o grande público não lhe ter vindo, ao menos por enquanto, porque o grande público – digam lá o que disseram os seus aduladores! – é cego ou míope até para uma obra tão humana, tão profunda e, ao mesmo tempo, tão natural, tão acessível, como é a sua, Irene. Mas, se há um escol em Portugal, esse escol pertence-lhe. É o que vejo, quando sai qualquer novo livro seu, como ainda não há muito[1]. E, no fim e ao cabo, mais cedo ou mais tarde, até esse grande público hesitante ou neutro, só espontâneo devorador de banalidades sentimentais ou policiais – não tem outro remédio senão aceitar o que lhe impõem Alguns. Às vezes os aceita (ou pelo menos, respeita) demasiado tarde. Demasiado tarde para a nossa vaidade terrena de autores! Mas não há demasiado tarde para as criações do Espírito; da sensibilidade, da imaginação: têm muito tempo diante de si.

      Estou para aqui a dizer-lhe estes lugares comuns, que a Irene está farta de saber, só para quê? Para conversar um bocadinho consigo. Também por aquela necessidade, que tem a sincera Admiração, (nisso e em outras coisas, tão semelhante ao Amor) de se confessar, de se declarar.

       Não quero que esteja a cansar-se, enquanto estiver doente, por isso lhe não peço que diretamente me envie notícias suas. Mas talvez alguma pessoa amiga possa mandar-me dizer se recebeu estas linhas. Posso abraçá-la, não é verdade? (Já vamos estando ambos velhotes…)

        Do velho admirador e amigo. José Régio

 

[1] Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma

publicado por Jorge da Cunha às 23:16

06
Mar 18

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Porque espreitais, lágrimas?

Viciosas, importunas, tão furtivas e tão repetidas.

Lendo, pensando... solícitas, solícitas!

 

Que é que se chora?

Nada, nem se sabe.

O que não foi e podia ter sido...

O impreciso, tudo e nada, toda a vida!

 

Mas como caem elas?

Se passam dos olhos rolam de repente, redondas,

redondas, apressadas...

E logo esquecem.

Mal de esquecer, pior que o de lembrar.

 

O coração, afinal, não é mais que um bocado de

terra ou de erva sempre a murchar e a rebentar.

E nessa fadiga, nessa lida, se gasta, se empobrece,

se inutiliza!

 

Irene Lisboa (1991). Um dia e outro dia… / Outono havias de vir. Lisboa: Editorial Presença.

publicado por Jorge da Cunha às 18:55

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