"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa

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Secura

 

Nunca

em tempo nenhum

e em nenhum lugar,

quer olhe para diante,

quer para trás,

descobri a regularidade

nem a doçura.

Ó dor, ó saudade!

Ai, por isso

um mal difuso

uma ambição inútil,

cansada e desiludida,

me acabrunha,

me fustiga.

Ó dor pisada, velha!

É assim o mundo...

Luxúrias,

vãs luxúrias.

Papéis muito restritos.

Bondades sem sentido.

E ao fim...

uma insuportável secura.

Secura,

meu mar de sal ou de areia,

tu, secura, cobre-me bem!

Lençol pesado,

meu derradeiro abrigo.

 

Irene Lisboa

Diário Popular, 27 de novembro de 1967

publicado por Jorge da Cunha às 18:33

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