"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa

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Ago 17

 

  1. Irene do Céu Vieira Lisboa nasceu no dia de Natal, de 1892, no casal da Murzinheira, freguesia de Arranhó, concelho de Arruda dos Vinhos.
  2. Este casal, bem como a Quinta de Monfalim, era propriedade da sua madrinha, D. Maria Guilhermina da Conceição Chaves.
  3. Aí viveu com a sua mãe, Maria Joaquina (17 anos), e a irmã Rita, até aos três anos.
  4. Depois, foi levada para Monfalim, com a sua irmã Rita, onde vivia a madrinha e o velho pai, Luís Emílio Vieira Lisboa (62 anos).
  5. Aos seis anos entra num colégio interno, Convento do Sacramento, em Lisboa.
  6. Da mãe, que se juntou com um trabalhador da Quinta de Monfalim, nunca mais se soube, apenas que deixou mais 4 filhos: Romana, Vitória, José Mateus e António.
  7. No Colégio do Sacramento, esteve Irene até ao 11 anos, frequentando depois, até aos 13, o Colégio Inglês.
  8. Em 1905, quando tinha 13 anos, o pai (já com 75 anos) junta-se com D. Maria da Saudade Ascensão Cavalheiro, com quem casou 7 anos mais tarde e de quem teve 6 filhos, o último dos quais quando o velho Dr. Lisboa tinha 83 anos.
  9. Os dois anos seguinte foram dramáticos para Irene Lisboa. Foi tirada do colégio e enfiada em Monfalim, onde esteve ao abandono, tendo de suportar a maldade e inveja da madrasta e da mãe desta.
  10. Aos 15 anos, vai viver com a madrinha para Lisboa e entra no Liceu Maria Pia onde conhece Ilda Moreira, de quem foi amiga o resto da vida.
  11. Mais tarde, Irene Lisboa vai viver para casa de Ilda, depois de tudo ter desaparecido de sua casa, inclusivamente a madrinha que foi raptada pela madrasta e mãe desta.
  12. Com 19 anos, ingressa na Escola Normal Primária de Lisboa, onde tira o curso de professora.
  13. Aos 23, termina o curso da Escola Normal com 18 valores.
  14. Passa a viver do seu ordenado e de uma pensão que lhe dá um primo do pai, o Conselheiro António Maria Vieira Lisboa.
  15. Em 1920, com 28 anos, Irene e Ilda tomam posse de duas turmas de ensino infantil na Escola da Tapada na Ajuda.
  16. Os alunos, muito pobres, têm entre 5 e 7 anos. Estas duas classes, pioneiras do ensino pré-primário em Portugal, servem de modelo de um ensino moderno e inovador.
  17. Entretanto, com 37 anos, Irene Lisboa vai, como bolseira, para Genebra estudar psicologia e pedagogia.
  18. Esteve ainda em Bruxelas e Paris, onde estudou metodologias pedagógicas.
  19. Regressa a Lisboa em 1932.
  20. Em 1935, vai morar para a zona das Janelas Verdes. É aqui que escreve parte de três das suas obras: Um dia e outro dia, Solidão e Esta cidade!
  21. Em virtude de terem sido extintas as secções infantis, em 1936, Irene concorre ao lugar de Inspetora para o Ensino Infantil, tendo ficado com o lugar de Inspetora-Orientadora em itinerância.
  22. Por ter sido demasiado inovadora para as mentes pequenas de então, Irene Lisboa foi, primeiro, transferida para um lugar administrativo na Junta de Educação Nacional; depois, em 1940, dão-lhe duas opções: ficar com um lugar como professora na zona de Braga, ou reformar-se. Opta pela segunda situação, recusando o degredo e negando dobrar-se perante um sistema acéfalo, ou não fosse ela Irene Lisboa.
  23. Em 1940 visita a terra onde havia passado só algum tempo, pouco, da sua infância e adolescência, ficando numa casa alugada em Monfalim.
  24. É então que começa a escrever aquela que viria a ser uma das suas obras de referência Voltar a trás para quê?
  25. Nestas férias percorre todos os lugares, serras e festas e recolhe fragmentos utilizados depois em muitos dos seus livros.
  26. Leia-se, por exemplo, Férias no campo, onde a autora nos apresenta um relato de lugares, pessoas e costumes muito próximo daquilo que um etnógrafo faria durante o seu trabalho de campo.
  27. E é a este campo da sua infância, trazido pelo “vento da Murzinheira”, que ela regressa constantemente.
  28. Este início dos anos 40 do século XX, já reformada sem ainda ter 50 anos, foram de grande produção literária.
  29. É ainda nos anos 40 que visita a Serra da Estrela pela primeira vez, local bastante frequentado pela autora a partir daí.
  30. Também os anos 50 são bastante produtivos a nível literário: Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma (1955); Voltar atrás para quê? (1956); O pouco e o muito – Crónica urbana (1956); Título qualquer serve (1958); Queres ouvir? Eu conto (1958); Crónicas da serra (1958).
  31. Os anos 50 são o prenúncio do fim desta escritora que foi considera por José Gomes Ferreira como “a maior escritora de todos os tempos portugueses”.
  32. Em 1950 Irene é operada, pela segunda vez, a um cancro no duodeno no Hospital de São José em Lisboa. Mas nunca deixa de escrever.
  33. A serra, o campo, a cidade e tudo o que os envolve por dentro, tudo o que é quotidiano, insignificante, nada... é motivo e reflexão e autorreflexão por parte de Irene Lisboa.
  34. Irene Lisboa morre então numa quarta-feira, no dia 25 de novembro de 1958.
  35. No dia 13 de janeiro de 2013, os restos mortais de Irene Lisboa são trasladados do Cemitério da Ajuda (Lisboa) para o Cemitério de Santo António (Arruda dos Vinhos).
publicado por Jorge da Cunha às 02:58

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