"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa

27
Ago 17

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Um dia e outro dia...

João Falco

 

Diário

de uma

mulher

 

A água dos rios

costuma correr

tranquila e monotonamente.

Os dias da nossa vida

assim correm também.

Lá vem hoje,

e lá vem daqui a tempos,

um pequeno salto sentimental

que os perturba.

Mas a igualdade do seu curso

e a do curso dos rios

refaz-se sempre, teimosamente...

Como poderá um diário

deixar de ser monótono,

corrente

e vulgar?

 

(“O que importa agora é notar como é funda esta raiz, e como ela determina uma temática central já nestes primeiros livros de Irene Lisboa: a ligação estreita entre tempo e memória.” Paula Morão, p. 12)

 

(“Tentava assim disfarçá-la com um nome de homem – senhor da Criação a quem, em certos domínios, tudo era permitido.” José Gomes Ferreira, p. 25)

 

Irene Lisboa (1991). Um dia e outro dia... Outono havias de vir (Poesia I). Organização e prefácio de Paula Morão. Introdução de José Gomes Ferreira. Lisboa: Editorial Presença (versões originais de 1936 e 1937).

 

E nunca mais a poesia em Portugal foi a mesma depois daquele ano de 1936.

publicado por Jorge da Cunha às 22:37

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