"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa

02
Out 17

Dia de Vento

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Pássaro estranho que ninguém vê,

porque cantaste?

O vento tudo varre.

Dobra as esquinas.

Tem uma voz de floresta,

extraordinária, endemoninhada.

Vento, mais e mais!

Violento, aterrador, clamoroso, trágico,

mais e mais!

Pássaro doido

e tolo

porque cantaste?

É o vento que reina.

Dobrem-se-lhe as rosas

e as begónias dos vasos.

Voz da terra

grita e blasfema.

Cada vez mais alto.

Mais alto e mais áspero.

Grita.

Que eu tenho um coração que estoira desconsolado.

Só uma voz assim o satisfaz.

O vinga,

o desaltera.

                       Irene Lisboa

 (Inédito publicado no suplemento "Literatura & Arte”, do jornal

"A Capital", de 26 de novembro de 1969.)

publicado por Jorge da Cunha às 18:30

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