"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa (Solidão)

11
Set 17

Irene na Serra.jpg

Cai um pássaro do ar, devagar, muito devagar.

E as árvores soturnas não se mexem.

Estio!

Não se veem bulir as árvores, em bloco, ou aos arcos, estampadas…

 

Elegante Lapa! Sol fosco, paisagem da manhã.

A gente do sítio, pobreza e riqueza, ainda recolhida.

Aqui uma janela discreta que se abre, preta, cega.

Ali outra fechada.

E esta alternância, bastante irregular, vai-se repetindo, repete-se…

 

E eu, ai eu! prisioneira, sempre prisioneira; tão enfadada!

 

 

Irene Lisboa

Revista de Portugal nº 3, 1938

publicado por Jorge da Cunha às 23:37

05
Set 17

Ó vida

1915.jpg

 

Fechá-la na mão


fechada, fechada


e isto já o disse


alguma vez o terei dito; disse.

Fechá-la na mão!

É fugitiva, a ladra.

Fechá-la assim na mão...

A incompreensiva,

a enganadora.

Benigna e mortal,

terrível.

A esquiva,

a pérfida e amada.

Mas não ouso!

Só queria dar-lhe um nome,

qual?

Não sei, nem ouso.

Um nome cruel e criterioso.

Não ouso

e nem o sei.

Ó vida!

Ó vida!

Ó vida!

 

Poema inédito de Irene Lisboa, gentilmente cedido por D. Ilda Moreira,

Jornal do Comércio, 21 - 22 maio de 1966.

Retrato a partir de uma fotografia de Irene Lisboa de 1915, de Inês Henriques, 2014.

publicado por Jorge da Cunha às 23:03

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