"A Alma é um pássaro, está sempre a querer cantar, mas tudo a atordoa." Irene Lisboa (Solidão)

31
Ago 17

“O que é mais curioso é que sobre estas coisas tão insignificantes e que parece não encerrarem nenhuma história nem nenhuma agitação, o tempo é como se não tivesse passado.”

                                                                                                                       Irene Lisboa, Começa uma vida

 

      y2014b.jpg                  y2014c.JPG

 

"O meu tempo corria como o tempo corre... ao acaso."

                                                                                  Irene Lisboa

                                                                Uma mão cheia de nada,

                                                                 outra de coisa nenhuma

 

publicado por Jorge da Cunha às 03:00

27
Ago 17

x2.jpgx3.jpgx1.jpg

Um dia e outro dia...

João Falco

 

Diário

de uma

mulher

 

A água dos rios

costuma correr

tranquila e monotonamente.

Os dias da nossa vida

assim correm também.

Lá vem hoje,

e lá vem daqui a tempos,

um pequeno salto sentimental

que os perturba.

Mas a igualdade do seu curso

e a do curso dos rios

refaz-se sempre, teimosamente...

Como poderá um diário

deixar de ser monótono,

corrente

e vulgar?

 

(“O que importa agora é notar como é funda esta raiz, e como ela determina uma temática central já nestes primeiros livros de Irene Lisboa: a ligação estreita entre tempo e memória.” Paula Morão, p. 12)

 

(“Tentava assim disfarçá-la com um nome de homem – senhor da Criação a quem, em certos domínios, tudo era permitido.” José Gomes Ferreira, p. 25)

 

Irene Lisboa (1991). Um dia e outro dia... Outono havias de vir (Poesia I). Organização e prefácio de Paula Morão. Introdução de José Gomes Ferreira. Lisboa: Editorial Presença (versões originais de 1936 e 1937).

 

E nunca mais a poesia em Portugal foi a mesma depois daquele ano de 1936.

publicado por Jorge da Cunha às 22:37

José Gomes Ferreira foi um dos maiores admiradores da obra de Irene Lisboa. Aqui ficam alguns excertos da obra deste escritor sobre a autora de Solidão.

 

Casa Virgílio Ferreira 1950:5.jpeg

Irene Lisboa irrompe também nessa década (em 1936) com uma poesia de rigor novo que alguns míopes logo classificaram de prosa, porque despedaçava inclemente as velhas metáforas além dos fatais sonetos apodrecidos por anos e anos de uso pelas raras mulheres que, de dicionário de rimas em punho, ousavam pôr as panelas e a costura das lidas diárias em segundo lugar. Isto para não falar dos lugares-comuns mais pequeno-burgueses, então em plena moda feminil, da espera à janela ou perto do telefone do vulto ao longe ou da voz do bem-querido, tão cantado por Virgínia Vitorino nos seus versos.

“Vem? Não vem? Virá? Talvez venha.” Etc.

 

José Gomes Ferreira,

“Breve introdução à poesia de Irene Lisboa”,

Vol. 1 (Poesia I, 1991), de Irene Lisboa,

Editorial Presença, 1978, pp. 21-22.

....................................................................

Como quase sempre que me encontro com a Maria da Graça, evocamos a nossa querida Irene Lisboa – não escondendo o que ela tinha de sombra para só pôr no prato da balança a luz restante...

- Era por vezes tirânica! – exclamou um de nós.

- Pois sim. Mas de uma maneira diferente da tirania vulgar. Sabes o que lhe disse uma vez cara a cara, o Pitum, filho do Chico Keil? Isto que a deslumbrou: "Ó Irene! Você é uma tirana esclarecida.

 

José Gomes Ferreira,

Dias Comuns VII. Rasto Cinzento,

Ed. D. Quixote, 2015, pp. 52, 53.

.......................................................

O Luís Amaro a evocar a Irene Lisboa – de que foi admirador fervoroso:

- Coitada! O que ela sofria com o êxito dos outros – êxito que nunca a bafejou. Sobretudo com o êxito das mulheres. Não podia com as Natércias, nem com a Bessa-Luís – a quem chamava a Bessa! Uma vez quando já estava doente anunciaram-lhe a possível visita da autora da Sibila. Quê, a Bessa? – berrou. – A Bessa? Não quero! E a sua voz estridente varava o mundo de raiva: A Bessa? A Bessa? Só me faltava a Bessa!

 

José Gomes Ferreira,

Dias Comuns VII. Rasto Cinzento,

Ed. D. Quixote, 2015, pp. 55, 56.

.......................................................

Luto. 26 de novembro de 1958.

Enterro de Irene Lisboa. Cemitério da Ajuda. Poucos acompanhantes, mas todos imersos nessa profunda cerimónia religiosa do Silêncio, onde os ateus e os agnósticos tanto sentem o princípio do tudo e do nada.

Nenhuma necessidade de provarmos que estávamos vivos, com palavras ou lágrimas.

Só o rasto do ruído dos pés na terra atrás do caixão. O pequeno e discreto choro da Terra...

 

Ferreira, José Gomes,

Imitação dos dias: Diário inventado,

Lisboa: Portugália Editora, 1970, p. 97.

................................................................

Descansa, Irene, a dos “olhos vigilantes”. Hão de ler-te até ao fim da língua portuguesa, cada vez mais viva e alargada pelo mundo em pátrias novas.

 

José Gomes Ferreira,

“Breve introdução à poesia de Irene Lisboa”,

Vol. 1 (Poesia I, 1991), de Irene Lisboa,

Editorial Presença, 1978, p. 30.

....................................................................

E boa eternidade, Irene Lisboa.

 

Ferreira, José Gomes,

Relatório de sombras ou a memória das palavras II,

Moraes Editores, 1980, p. 55.

publicado por Jorge da Cunha às 14:41

24
Ago 17

Gomes Ferreira.jpg

Não era a minha alma que queria ter.

Esta alma já feita, com seu toque de sofrimento

e de resignação, sem pureza nem afoiteza.

Queria ter uma alma nova.

Decidida capaz de tudo ousar.

Nunca esta que tanto conheço, compassiva, torturada

   de trazer por casa.

A alma que eu queria e devia ter…

Era uma alma asselvajada, impoluta, nova, nova,

     nova, nova!

                                                      Irene Lisboa

         Outono havias de vir latente triste (1937)

publicado por Jorge da Cunha às 13:36

23
Ago 17

I) Literatura, poesia, crónica...

  1. Treze contarelos (1926) – Ficção: infância/adolescência
  2. Um dia e outro dia... Diário de uma mulher (1936) – Poesia*
  3. Outono havias de vir latente triste (1937) – Poesia*
  4. Solidão: Notas do punho de uma mulher (1939) – Prosa literária/Fragmentos autobiográficos*
  5. Folhas volantes (1940) – Poesia
  6. Começa uma vida (1940) – Novela/autobiografia*
  7. Lisboa e quem cá vive (1940) – Crónica
  8. Esta cidade! (1942) – Crónica urbana e rural/reportagem*
  9. Apontamentos (1943) – Prosa literária/Fragmentos autobiográficos*
  10. Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma (1955) – Ficção: infância/adolescência**
  11. Voltar atrás para quê? (1956) – Novela/autobiografia*
  12. O pouco e o muito – Crónica urbana (1956) – Crónica urbana e rural/reportagem*
  13. Título qualquer serve (1958) – Crónica urbana e rural/reportagem*
  14. Queres ouvir? Eu conto (1958) – Ficção: infância/adolescência**
  15. Crónicas da serra (1959) – Crónica urbana e rural/reportagem*
  16. A vidinha da Lita (1971) – Ficção: infância/adolescência
  17. Solidão II (1974) – Prosa literária/Fragmentos autobiográficos*
  18. Folhas soltas da Seara Nova, 1929/1955 – Antologia (Paula Morão)

Notas: Os títulos assinalados com um asterisco encontram-se publicados na Editorial Presença, com organização e prefácio da Prof.ª Dr.ª Paula Morão; os assinalados com dois asteriscos também se encontram publicados nesta editora.

II) Outros

  1. Irene Lisboa, Inquérito ao livro em Portugal – I, Editores e livreiros, Lisboa, Seara Nova, 1944.
  2. Irene Lisboa, Inquérito ao livro em Portugal – II, Editores e livreiros, Lisboa, Seara Nova, 1946.

III) Ciências da Educação

  1. Relatório da Bolseira Irene do Céu Vieira Lisboa – Junta de Educação Nacional – Relatórios das Viagens de Estudo dos Bolseiros: Áurea Judite Amaral, Jaime Maximiano Gouveia Xavier de Brito, João de Sousa Carvalho, Irene do Céu Vieira Lisboa, José Claudino Rodrigues Migueis, Ilda da Ascensão Moreira, António Leal de Oliveira – Tip. Da "Seara Nova", Lisboa, 1933. Insere os seguintes trabalhos de Irene Lisboa: "Crítica à atividade da ‘Maison des Petits’ anexa ao Instituto J.J. Rousseau"; "Relatório sobre as Escolas Maternas de Paris"; "Os ‘Jardins d’Enfance’ de Bruxelas"; "Relatório sobre a aplicação do Sistema Educativo dos Centros de Interesse do Dr. Decroly, na Escola de L’Ermitage, de Bruxelas"; "Bases para um programa de Escola Infantil".
  2. A contribuição do desenho para o ensino elementar sobre o Império Colonial Português – Publicado em "A formação do Espírito Colonial na Escola Primária Portuguesa" – Tese oficial apresentada pelos serviços de orientação pedagógica da Direcção-Geral do Ensino Primário – Imprensa Nacional – Lisboa, 1934.
  3. Preleção realizada aos professores do distrito escolar de Coimbra, em 25 de Janeiro de 1934 e repetida em Beja, em 1 de Fevereiro, pela inspetora-orientadora Irene do Céu Vieira Lisboa – Publicada em "Preleções Inaugurais" – Imprensa Nacional de Lisboa, 1935. Publicada também no "Boletim Oficial do Ministério da Educação Pública" – Direção do Prof. Oliveira Guimarães – Ano V, Fascículo I – Lisboa, Imprensa Nacional, 1934.
  4. Froebel e Montessori – sob o pseudónimo de Manuel Soares – Cadernos da "Seara Nova" – Seleção de Estudos Pedagógicos – Lisboa, 1937.
  5. O Trabalho Manual na Escola (publicado juntamente com o trabalho anterior) – Cadernos da "Seara Nova" – Lisboa, 1937.
  6. O Primeiro Ensino (I e II) – sob o pseudónimo de Manuel Soares – Cadernos "Seara Nova" – Secção de Estudos Pedagógicos – Lisboa, 1938.
  7. A Iniciação do Cálculo – sob o pseudónimo de Manuel Soares – Cadernos da "Seara Nova" – Secção de Estudos Pedagógicos – Lisboa, 1939.
  8. Modernas tendências da Educação – Biblioteca Cosmos (n º 21) – 1ª Secção (Ciências e Técnicas), n º 9 – Ilustrações de Ilda Moreira – Lisboa, 1942.
  9. A Psicologia do Desenho Infantil – Edição da Associação Feminina Portuguesa para a Paz – Gráfica Lisbonense – Lisboa, 1942.
  10. Educação – Palestra proferida no salão do "Grupo dos Modestos", do Porto, na noite de 20 de Janeiro de 1944 – Cadernos da "Seara Nova" – Lisboa, 1944.

Colaboração na "Revista Escolar"

  1. Brinquedos e Jogos Educativos – julho de 1925, n º 7, pág. 257 e seg.
  2. Vida escolar de Crianças de Cinco Anos e Meio a Sete (de colaboração com Ilda Moreira) – Abril de 1926, n º 4, pág. 157 e seg. e Julho de 1926, n º 7, pág. 278 e seg.
  3. A Escola Atraente – Dezembro de 1926, n º 10, pág. 405 e seg.
  4. Ler – Junho e Julho de 1927, n º 6 e 7, pág. 253 e seg.

Colaboração na "Revista Portuguesa"

  1. Sociedades formadas de leitores e de comentadores das ideias que lhes interessem – Ano (1934 – 1935) – n º 16, 24 de Janeiro de 1935, pág. 263.
  2. As nossas emissões radiofónicas – Palestra realizada na Emissora Nacional em 22 de Março de 1935 – Ano I(1934-35) – n º 25, 28 de Março de 1935, pág. 464, 465.
  3. A radiofonia e a criança – Ano I (1934-35) – n º 47, 29 de Agosto de 1935, pág. 838, 839.
  4. O Evangelho de SMateus– Ano II (1935-36) – n º 58, 21 de Novembro de 1935, pág. 55, 56.
  5. A Visita Inspcetoral – Ano II (1935-36) – n º 66, 16 de Janeiro de 1936, pág. 97, 98.
  6. Aquele ponteiro era um símbolo – Ano II (1935-36) – n º 77, 2 de Abril de 1936, pág. 165.
  7. Exposições Escolares – Ano II (1935-36) – n º 90, 2 de Junho de 1936, pág. 263, 264.
  8. Rápidas Considerações – Ano II (1935-36) – n º 96, 13 de Agosto de 1936, pág. 313, 314.
  9. A Adaptação à escolaridade – Ano II (1935-36) – n º 100, 10 de Setembro de 1936, pág. 339, 340.
  10. Educação e Assistência – Ano II – (1936-37) – n º 107, 5 de Novembro de 1936, pág. 37, 38.
  11. A Psicologia do Desenho Infantil – n º 792, de 17 de Outubro de 1942.
  12. Prévios pensamentos sobre as formas de tentar conhecer e dirigir a educação em Portugal – n º 949, de 20 de Outubro de 1945.
  13. A Roda de Crianças e de Escolas (Palestra proferida em Leiria e Santiago do Cacem) n º 951, de 3 de Novembro de 1945.
  14. A Roda de Crianças e de Escolas(Conclusão) – n º 955, de 1 de Dezembro de 1945.
  15. Comemorando a Fundação da Primeira Escola da Sociedade "A Voz do Operário" – (Palestra) – n.º 1031, de 3 de Maio de 1947.

Colaboração na "Seara Nova"

  1. Transformemos a escola – artigo- n º 164, 6 – VI, 1929.
  2. E (ureau), I (nternational), (de) E (ducação) – artigo n º 198, 30 – I, 1930.
  3. A Técnica – n º 489, de 29 de Outubro de 1936.
  4. Ler, escrever e contar – n º 492, de 17 de Dezembro de 1936.
  5. Auxílios intelectuais ao professor – n º 494, de 21 de Janeiro de 1937.
  6. Escolas – Breve capítulo de um longo relatório– n º 521, de 7 de Agosto de 1937. 
  7. Froebel e Montessori – n º 524, de 28 de Agosto de 1937.
  8. O Trabalho Manual na Escola – conferência – n º 529, de 2 de Outubro de 1937.
  9. O Trabalho Manual na Escola II – n º 530, de 9 de Outubro de 1937.
  10. O trabalho Manual na Escola III – n º 531, de 16 de outubro de 1937.
  11. O primeiro Ensino I – tradução; (autor: F. Brill) – n º 544, de 15 de Janeiro de 1938.
  12. O primeiro Ensino II – tradução; (autor: F. Brill) – n º 547, de 5 de Fevereiro de 1938
  13. O primeiro Ensino III – tradução; (autor: F. Brill) – n º 548, de 12 de Fevereiro de 1938.
  14. O primeiro Ensino - de F. Brill; nova série sobre a escola de Bastony – n º 570, de 16 de Julho de 1938.
  15. O primeiro Ensino I (de F. Brill) – n º 575, de 20 de Agosto de 1938.
  16. O primeiro Ensino II (de F. Brill) – n º 576, de 27 de Agosto de 1938.
  17. O primeiro Ensino III (de F. Brill) – n º 579, de 17 de Setembro de 1938.
  18. O primeiro Ensino IV (de F. Brill) – n º 581, de 1 de Outubro de 1938.
  19. O primeiro Ensino V (de F. Brill) – n º 587, de 12 de Novembro de 1938.
  20. A Iniciação ao Cálculo I – n º 630, de 9 de Setembro de 1939.
  21. A Iniciação ao Cálculo II – n º 635, de 14 de Outubro de 1939.
  22. A Iniciação ao Cálculo III – n º 640, de 18 de Novembro de 1939.
  23. A Iniciação ao Cálculo IV – n º 647, de 6 de Dezembro de 1939.
publicado por Jorge da Cunha às 12:15

 

  1. Irene do Céu Vieira Lisboa nasceu no dia de Natal, de 1892, no casal da Murzinheira, freguesia de Arranhó, concelho de Arruda dos Vinhos.
  2. Este casal, bem como a Quinta de Monfalim, era propriedade da sua madrinha, D. Maria Guilhermina da Conceição Chaves.
  3. Aí viveu com a sua mãe, Maria Joaquina (17 anos), e a irmã Rita, até aos três anos.
  4. Depois, foi levada para Monfalim, com a sua irmã Rita, onde vivia a madrinha e o velho pai, Luís Emílio Vieira Lisboa (62 anos).
  5. Aos seis anos entra num colégio interno, Convento do Sacramento, em Lisboa.
  6. Da mãe, que se juntou com um trabalhador da Quinta de Monfalim, nunca mais se soube, apenas que deixou mais 4 filhos: Romana, Vitória, José Mateus e António.
  7. No Colégio do Sacramento, esteve Irene até ao 11 anos, frequentando depois, até aos 13, o Colégio Inglês.
  8. Em 1905, quando tinha 13 anos, o pai (já com 75 anos) junta-se com D. Maria da Saudade Ascensão Cavalheiro, com quem casou 7 anos mais tarde e de quem teve 6 filhos, o último dos quais quando o velho Dr. Lisboa tinha 83 anos.
  9. Os dois anos seguinte foram dramáticos para Irene Lisboa. Foi tirada do colégio e enfiada em Monfalim, onde esteve ao abandono, tendo de suportar a maldade e inveja da madrasta e da mãe desta.
  10. Aos 15 anos, vai viver com a madrinha para Lisboa e entra no Liceu Maria Pia onde conhece Ilda Moreira, de quem foi amiga o resto da vida.
  11. Mais tarde, Irene Lisboa vai viver para casa de Ilda, depois de tudo ter desaparecido de sua casa, inclusivamente a madrinha que foi raptada pela madrasta e mãe desta.
  12. Com 19 anos, ingressa na Escola Normal Primária de Lisboa, onde tira o curso de professora.
  13. Aos 23, termina o curso da Escola Normal com 18 valores.
  14. Passa a viver do seu ordenado e de uma pensão que lhe dá um primo do pai, o Conselheiro António Maria Vieira Lisboa.
  15. Em 1920, com 28 anos, Irene e Ilda tomam posse de duas turmas de ensino infantil na Escola da Tapada na Ajuda.
  16. Os alunos, muito pobres, têm entre 5 e 7 anos. Estas duas classes, pioneiras do ensino pré-primário em Portugal, servem de modelo de um ensino moderno e inovador.
  17. Entretanto, com 37 anos, Irene Lisboa vai, como bolseira, para Genebra estudar psicologia e pedagogia.
  18. Esteve ainda em Bruxelas e Paris, onde estudou metodologias pedagógicas.
  19. Regressa a Lisboa em 1932.
  20. Em 1935, vai morar para a zona das Janelas Verdes. É aqui que escreve parte de três das suas obras: Um dia e outro dia, Solidão e Esta cidade!
  21. Em virtude de terem sido extintas as secções infantis, em 1936, Irene concorre ao lugar de Inspetora para o Ensino Infantil, tendo ficado com o lugar de Inspetora-Orientadora em itinerância.
  22. Por ter sido demasiado inovadora para as mentes pequenas de então, Irene Lisboa foi, primeiro, transferida para um lugar administrativo na Junta de Educação Nacional; depois, em 1940, dão-lhe duas opções: ficar com um lugar como professora na zona de Braga, ou reformar-se. Opta pela segunda situação, recusando o degredo e negando dobrar-se perante um sistema acéfalo, ou não fosse ela Irene Lisboa.
  23. Em 1940 visita a terra onde havia passado só algum tempo, pouco, da sua infância e adolescência, ficando numa casa alugada em Monfalim.
  24. É então que começa a escrever aquela que viria a ser uma das suas obras de referência Voltar a trás para quê?
  25. Nestas férias percorre todos os lugares, serras e festas e recolhe fragmentos utilizados depois em muitos dos seus livros.
  26. Leia-se, por exemplo, Férias no campo, onde a autora nos apresenta um relato de lugares, pessoas e costumes muito próximo daquilo que um etnógrafo faria durante o seu trabalho de campo.
  27. E é a este campo da sua infância, trazido pelo “vento da Murzinheira”, que ela regressa constantemente.
  28. Este início dos anos 40 do século XX, já reformada sem ainda ter 50 anos, foram de grande produção literária.
  29. É ainda nos anos 40 que visita a Serra da Estrela pela primeira vez, local bastante frequentado pela autora a partir daí.
  30. Também os anos 50 são bastante produtivos a nível literário: Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma (1955); Voltar atrás para quê? (1956); O pouco e o muito – Crónica urbana (1956); Título qualquer serve (1958); Queres ouvir? Eu conto (1958); Crónicas da serra (1958).
  31. Os anos 50 são o prenúncio do fim desta escritora que foi considera por José Gomes Ferreira como “a maior escritora de todos os tempos portugueses”.
  32. Em 1950 Irene é operada, pela segunda vez, a um cancro no duodeno no Hospital de São José em Lisboa. Mas nunca deixa de escrever.
  33. A serra, o campo, a cidade e tudo o que os envolve por dentro, tudo o que é quotidiano, insignificante, nada... é motivo e reflexão e autorreflexão por parte de Irene Lisboa.
  34. Irene Lisboa morre então numa quarta-feira, no dia 25 de novembro de 1958.
  35. No dia 13 de janeiro de 2013, os restos mortais de Irene Lisboa são trasladados do Cemitério da Ajuda (Lisboa) para o Cemitério de Santo António (Arruda dos Vinhos).
publicado por Jorge da Cunha às 02:58

Agosto 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
25
26

28
29
30


subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

2 seguidores

pesquisar neste blog
 
links
Visitantes
web counter free
Protecção